Córtex Cerebral

Córtex Cerebral

quarta-feira, 29 de junho de 2011

ESTRUTURA E FUNÇÕES DO CÓRTEX CEREBRAL- Parte II

4.0- Classificação das Áreas Corticais
       O córtex cerebral não é homogêneo em sua extensão, o que permite a individualização de várias áreas com base em critérios.

4.1- Classificação Anatômica do Córtex
        Baseada na divisão do cérebro em sulcos, giros e lobos. A fragmentação em lobos não corresponde a uma divisão funcional ou estrutural. Com exceção do lobo occipital que é considerada uma das principais áreas corticais da visão.

4.2- Classificação Filogenética do Córtex
Divide o córtex com base em critérios evolutivos:
·         Arquicórtex: corresponde ao hipocampo;
·         Paleocórtex: úncus e parte do giro para-hipocampal;
·         Neocórtex: reveste todo o resto dos hemisférios cerebrais.
Arqui e paleocórtex ocupam áreas antigas do córtex e fazem parte do riencéfalo (olfação) e do sistema límbico (comportamento emocional).

4.3- Classificação Estrutural do Córtex
       Com base em estudos histológicos das camadas do córtex, ele pode ser dividido em várias áreas citoarquiteturais. O mapa desta divisão mais aceito é o de Brodmann, com 52 áreas enumeradas.


4.4- Classificação Funcional do Córtex
      Com relação às funções, as áreas corticais não são homogêneas.
·         Broca: correlacionou lesões em áreas restritas do lobo frontal (área de Broca) com a perda da linguagem falada.
·         Fritsch e Hitzig: estabeleceram o conceito de somatotopia (correspondência entre determinadas áreas corticais e certas partes do corpo- 1º mapeamento da área motora do córtex).
      Descobriu-se também que é possível causar movimento a partir de estímulos de áreas corticais consideradas exclusivamente sensitivas. Verificou-se assim que as localizações funcionais são especializações funcionais das áreas corticais, mas também que elas não são isoladas. O conceito de localizações funcionais no córtex é aceito, pois é importante para compreensão do funcionamento e para o diagnóstico de lesões no cérebro.
      As áreas funcionais se classificam em áreas de projeção e áreas de associação, ambos têm conexões com os centros subcorticais. Segundo o neuropsicólogo Luria:
·         Áreas de projeção   >    áreas primárias - ligadas diretamente à sensibilidade e à motricidade.
·         Áreas de associação    >  áreas secundárias ou unimodais – relacionadas indiretamente com a sensibilidade e a motricidade. Suas conexões ocorrem com uma área primária de mesma função.
áreas terciárias ou supromodais – envolvidas com atividades psíquicas superiores (memória, processos simbólicos e pensamento abstrato). Mantêm conexões com áreas unimodais e com outras supramodais.
5.0- Áreas de projeção (áreas primárias)
      Relacionam-se com a sensibilidade ou com a motricidade. Existe apenas uma área primária motora situada no lobo frontal e várias áreas primárias sensitivas nos demais lobos. Existe uma área primária específica para cada sensibilidade especial, enquanto todas as formas de sensibilidade geral convergem para a área somestésica.

5.1-Área Somestésica (área da sensibilidade geral somática)
ü  Localizada no giro pós-central (áreas 3, 2 e 1 do mapa de Brodmann)
ü  Chegam radiações talâmicas originadas nos núcleos ventral póstero-lateral e ventral póstero-medial
ü  Trazem impulsos nervosos relacionados á temperatura, dor, pressão e propriocepção consciente do lado oposto do corpo.
ü  Há correspondência entre partes do corpo e partes da área somestésica.
Ø  Homúnculo sensitivo
·         Essa somatotopia é fundamentalmente igual a observada na área motora.
·         A extensão da representação cortical de uma parte do corpo depende da importância funcional dessa parte para a biologia da espécie e não de seu tamanho.
v  Lesões da área somestésica:
       Acidentes vasculares cerebrais podem comprometer as artérias cerebrais média e anterior que irrigam essa região. Causando assim, perda da capacidade de discriminar dois pontos, perceber movimentos de partes do corpo ou reconhecer diferentes intensidades de estímulos ( reconhece as diferentes intensidades de estímulos, mas é incapaz de distinguir a parte do corpo que está  sendo estimulada ou os graus de temperatura, peso ou textura do objeto que o estimula- Perda da estereognosia).
      A sensibilidade protopática (sensibilidade não-discriminativa e sensibilidade térmica e dolorosa) não é alterada, pois se tornam conscientes no tálamo.

5.1.2-Área visual
ü  Localizada nos lábios do sulco calcarino ( área 17 de Brodmann)
ü  Cegam as fibras do tracto geniculo-calcarino originados no corpo geniculado lateral
ü  Correspondência perfeita entre a retina e o córtex visual
v  Lesão da área visual
A abalação bilateral da área 17 causa cegueira completa na espécie humana.

5.1.3- Área Auditiva
ü  Situada no giro temporal transverso anterior ou giro de Heschl (área 41 e 42 de Brodmann).
ü  Chegam fibras da radiação auditiva originadas no corpo geniculado medial.
ü  Tonotopia: sons de determinada freqüência projetam-se em partes específicas da área cortical.
v  Lesões da área auditiva:
·         Lesões bilaterais do giro temporal transverso anterior causam surdez completa.
·         Lesões unilaterais causam déficits auditivos pequenos (suas fibras não são totalmente cruzadas, cada cóclea representa-se no córtex dos dois hemisférios)
5.1.4- Área vestibular
ü  Localizada no lobo parietal em uma pequena região próxima ao território da área somestésica correspondente á face.
ü  Relaciona-se mais com a área de projeção da sensibilidade proprioceptiva do que com a auditiva.
ü  Receptores: proprioceptores especiais- informam sobre a posição e o movimento da cabeça.
ü  Importante para a apreciação consciente da orientação no espaço.
5.1.5- Área Olfatória
ü  Ao contrário de alguns mamíferos, essa área ocupa uma pequena região situada na parte anterior do úncus e do giro para-hipocampal.
ü  Crises uncinadas: epilepsia local do úncus causa alucinações olfatórias.
5.1.6- Área Gustativa
ü  Localizada na porção inferior do giro pós-central, próxima a ínsula, em uma região adjacente à parte da área somestésica correspondente à língua.
ü  Estimulações elétricas ou crises epiléticas cujo foco se inicia nessa região causam alucinações gustativas.
v  Lesões desta área provocam uma diminuição da gustação na metade oposta da língua.


5.2. Área Motora Primária

Ocupa a parte posterior do giro pré-central correspondente á área 4 de Brodmam. É um isocórtex heterotípico agranular caracterizado pela presença de células piramidais gigantes.
O mapeamento do córtex, sua somatotopia, foi possível com o auxilio de dois métodos:
ü  Estimulaçaõ elétrica - determinam movimentos da musculatura contralateral.
ü  Focos epilépticos - causam movimentos de grupos musculares isolados.

·                    Sua somatotopia é representada por um homúnculo de cabeça pra baixo.
A extensão da representação cortical de uma parte do corpo na área 4, é proporcional não ao seu tamanho, mas à delicadeza dos movimentos realizados pelos grupos musculares aí localizados.
Principais Conexões Aferentes:
ü  Tálamo (informações oriundas do cerebelo);
ü  Área somestésica;
ü  Áreas pré-motora;
ü  Motora suplementar.
A área 4 dá origem á maior parte das fibras dos tractos cortiço- espinhal e cortiço nuclear, principais responsáveis pela motricidade voluntária.

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